terça-feira, 8 de maio de 2007

Lucky one!

Sorte é um quase-sinónimo de destino, com a principal diferença de admitir uma divisão entre "boa sorte" e "má sorte" (quando se fala em destino, essa divisão é inadmissível). No entanto, imaginar que existe uma sorte é algo que exige admitir a ideia de predestinação, ou seja, de que algo ocorreu por fatalidade, programação ou desígnio imposto por forças maiores, sejam estas cosmogónicas, metafísicas ou teológicas.

Eu não acredito na sorte! As escolhas que fazemos na vida trazem-nos consequências, não castigos ou recompensas! Mas como animal pensante que sou não posso impedir-me de questionar as coincidências.
Como o dia em que conheci o Rich.
Depois de uma viagem de 25horas, sem dormir, a pensar quando poderiam os meus braços novamente sentir o calor do corpo da minha amada, o cansaço venceu-me. Sentada num canto da gare, agarrada aos meus poucos pertences, adormeci. Acordei meia assustada com uma mão que me batia no ombro e ao levantar a cabeça, deparei-me com uns belos olhos verdes arregalados, olhando em volta como se procurasse algo e desconfiasse de tudo. Era o Rich, 13 anos, órfão, desde os 7 a passear-se pelas ruas de Paris e a desenrascar-se. Olhou para mim, já de olhos abertos, e disse-me simplesmente que se me deixasse dormir mais 5minutos poderia acordar só com a roupa no corpo, ou nem isso. Levantei-me, meti a mão ao bolso e reparei que nem dinheiro tinha para beber um café. Ele ofereceu-se para me pagar um, tinha acabado de receber uns trocos e não sabia porque razão acreditava que eu voltaria para lhe pagar o almoço no dia seguinte.
Durante seis meses partilhamos os cantos da gare, os trocos, os almoços, a manta para dormir. Mostrou-me os melhores esconderijos, os códigos da rua e desapareceu como surgiu, sem deixar rasto.
Sorte ou coincidência, não sei. Sei que durante esse tempo tive um irmão. Alguém que cruzou e partilhou a minha vida, ainda que por um curto espaço de tempo, e fez-me esquecer os momentos difíceis que atravessava. Sim, porque comparada a ele eu tinha tudo!

3 comentários:

Anónimo disse...

Para quem cosmogónicamente acredita no destino, a sorte e o azar não têm significado, pois tudo está pré-determinado.
Os acontecimentos, as alegrias, as tristezas, os ganhos, as percas, as nossas emoções... tudo está "escrito".

Para o louco que acredita no destino, a vida não passa de uma prisão, em que todos partilhamos um teatro elaborado mas sem acesso ao guião.

Para nós os loucos, os dias passam e aproximamo-nos cada vez mais dessas cortinas, na esperança de uma surpresa, boa ou má, com ou sem sal, pois essas surpresas é que nos dão esperança de que cenas melhores virão...

Dá-te feliz por teres encontrado na tua cena de 6 meses, alguém com quem partilhaste a tua vida e com quem aprendeste...

Beijos a ti e ao Rich!

Poppie disse...

São os acontecimentos mais improváveis que mais nos marcam, nos ensinam alguma coisa e nos fazem crescer! Não os podemos procurar, mas de vez em quando encontramos alguns. Nessa altura é preciso saber reconhece-los, agarra-los e vive-los!

thunderstorm disse...

Bem... como sempre não estou de acordo contigo, como sabes acredito muito no destino, pk como sabes neste momento se olhar para trás a minha vida tinha que ter passado por tudo o k passou para depois poder encontrar o amor verdadeiro e saber desfrutá-lo. As pessoas aparecem na nossa vida para nos ensinar algo, todas nós (para mim) temos uma missão, o jovém que se cruzou contigo, tb tinha uma... e tu melhor que ninguém sabe isso.