segunda-feira, 4 de junho de 2012

Fazer as pazes com o passado...


Cala esta dor que trago no peito com o som do teu sorriso...
Acalma esta incerteza com as batidas do teu coração repleto de felicidade...
Ainda que eu não faça parte...
Ainda que eu já não exista na tua vida...
Não negues a presença que tive um dia...
Não esqueças o bem e o mal que te fiz...
Mas lembra-te especialmente do bom que isso te trouxe...
E sorri...
Quando ouvires o meu nome, sorri!
Quando lembrares a minha face, sorri!
Porque faço parte do teu passado...
Porque nele existi...
E se nele fui enterrada, então sorri!
Sorri porque foi aí que algo renasceu em ti...
Esse qualquer sentimento que te tornou mais forte e mais adulta...
E Nunca te esqueças de sorrir...
Quando te lembrares daquela estranha que conheceste num minuto
e que até duvidaste que existisse realmente...
Porque ela fez-te olhar para dentro e pensar em ti...
E esse olhar não se esquece e faz-nos sempre sorrir...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A menina da História...


Era uma vez uma menina que sonhava com pistolas e aventuras. 
Corria pelos campos, pelas matas,
trepava às árvores e jogava futebol com os amigos.
Quando ficava em casa, ela brincava com carros e soldados
e inventava histórias com as bonecas que lhe davam.
Também criava lares e famílias mas estas não eram muito comuns.
Imaginava que era uma grande cantora, adorada por todos
mas que amava uma só pessoa e para ela cantava
(e desafinava! Felizmente ninguém a ouvia...).
À medida que crescia, as suas histórias iam-se tornando mais realistas
mas eram suas e mais ninguém as conhecia...
 Toda a gente sabia que ela era diferente 
mas ninguém podia saber o que ela vivia no silêncio do seu quarto.

Um dia teve um sonho...
Alguém de quem ela gostava estava ali mesmo ao seu lado,
na cozinha onde tanto brincava.
Alguém que ela não conhecia
mas que sabia amar e querer com todas as suas forças.
Era uma menina linda...
Um nada mais alta que ela...
E ela só conseguia pensar que era com ela que se queria casar.
 Nos meses e anos que se seguiram continuou apaixonada
por aquela mulher nunca encontrada
e que passou a ser a sua secreta amada.

Com o passar do tempo e na sua vivência endiabrada sentiu-se exilada...

Esqueceu o sonho e agarrou-se ao mundo real
e às pessoas com quem lidava.
Soltou-se no mundo tal uma diaba
e viveu a fundo tudo o que a vida lhe dava.
Tornou-se adulta e fez-se à estrada
à procura da aventura que tanto desejara.
Mas a vida, cruel professora, ensinou-lhe o preço dos sonhos de outrora...
E assentando os pés no chão,
a menina pôs a cabeça entre as mãos e,
chorou desalmada o quarto no qual brincava.
Quando abriu os olhos encharcados e olhou à sua volta,
sentiu o coração encher-se de revolta pelos erros e enganos com os quais tinha sido alimentada.
O mundo não era nada...
E ela não era uma brilhante fada
com poderes para o alterar e fazer o céu brilhar.
Por fim viu que nem a noite, sua eterna paixão, tinha sempre o luar a iluminar...
E no fundo não havia assim tanta razão para acreditar.

Mas a sua raiva era tal que nem a morte lhe parecia real!
E no seu mundo se fechou e só quando ao abismo chegou,
no momento da definitiva decisão,
tomou consciência então
que poderia sempre ser feliz
enquanto houvesse sonhos a cumprir.
Voltou à sua memória aquela estranha,
e aquela história,
que tantas vezes a fez vibrar
sem mesmo nunca a encontrar...

Guardou-se do mundo vivendo nele...

Sonhou dias e noites a fio, sem construir nada com brio...

Abandonou-se aos charmes do desconhecido
tentando acordar o seu ser adormecido...

Até ao dia...

Alguém lhe fez promessas indevidas
e todas as suas mágoas foram esquecidas.
Novos sonhos surgiram
e lançou-se de alma e coração
numa estranha forma de vida chamada "relação".
Não foi bem aceite pelos demais
mas pouco importava à nossa menina cheia de ideais...
Ela só queria ser feliz
e encontrar quem sempre quis...

Mas tal como no passado, a vida angustiante
não deixou que o amor fosse avante.
A menina triste mas decidida
quis quebrar o ciclo da vida.
E pegando no que aprendeu
tomou o que, por direito, era seu:
O Amor!
"Não mais me vou entregar!"
Dizia ela magoada quando no fundo da sua alma nada mais esperava...
Do que acreditar novamente
que o amor é o que faz de nós gente
e nos alimenta
e nos faz crescer.
Sim...
Esse amor ao qual ela não se entrega...
Ao qual ela foge e se nega...

E a vida traiçoeira, ensina-a de outra maneira...
Saída nem sabe de onde,
surge uma alma que como ela se esconde...
E que tal como ela merece
tudo de bom que o amor oferece...
E a nossa menina AMA finalmente,
como merece pouca gente...