terça-feira, 3 de julho de 2007

Alberto Caeiro

O Amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
porque já não posso andar só.

Um pensamento visível faz-me andar mais depressa.
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se não a vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio...

2 comentários:

Zaza disse...

E depois disso tudo esqueces-te de ti!!! Vais continuar a tratar-te assim? Tu sabes bem que não estás sozinha. Mas, para ti é o amor que te acompanha, mas depois olhas em volta... e estão os amigos...

thunderstorm disse...

E se na realidade tudo é uma ilusão?
Se o que ves não passa de uma mera ilusão de amor?
Já pensaste que a cara pode não ser dela, mas por teimosia o teu cerebro emite essa imagem?