sexta-feira, 10 de agosto de 2007

alimenta-me o EGO

Já dizia o Gabriel (aquele apelidado Pensador) que a gente cospe no prato que come para depois querer comer no prato em que cuspiu...
E quem sou eu para não te deixar comer...
Tens fome? AGORA COME!!
Come os restos que deixaste abandonados ao relento, ao sol e às moscas.
Come essa podridão acumulada dos dias e das horas passadas à espera de um vento refrescante, dos momentos de rejeição, das horas de desprezo.
E comes... Porque a fome é tanta e a comida escassa.
Porque nada mais resta do que a consequência do mundo que criaste.
Comes com gula, porque o orgulho que te resta já não é força mas ilusão.
Uma ilusão de fruta fresca e intacta apanhada da árvore ao som da lua que te clama uma doçura que já não existe.

E porque todos temos de nos alimentar, eu fico aqui pasmada a olhar-te devorar com sofreguidão o que em tempos consideraste lixo.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

E tudo será nada...

Maravilhosa é como posso descrever esta raiva que me habita.
Solitária é a palavra que melhor me destingue.

Inútil é como me sinto.

Mas sei a importância que tenho neste mundo onde as palavras não passam disso, simples palavras para tentar explicar o inexplicável.

Prefiro ser o palhaço da festa a não ter qualquer tipo de festa...

Quero ser o centro do teu ódio, quero ser a vítima do teu orgulho... desde que seja algo para ti... nem que seja uma memória...

E que seria de mim sem o teu "desamor"...?

quarta-feira, 25 de julho de 2007

ansiedade


Lembras-te desse sentimento de impotência?
Da dúvida e da angústia que tomavam posse?
Tudo era novo e tudo me lembrava o que já era velho em mim...
Poderia eu fazer com que olhasses para mim com outros olhos?
Seria eu diferente em algum aspecto?
Porque também tu deves ter um novo a conhecer e um velho a lembrar...
Serão os teus olhos capazes de ver o "EU" para além do meu "eu"?
Será possível que repares no ser que renego como se nunca o tivesse sido?
Será amor esta coisa que nasce da novidade que sinto e não vejo?
Será que tens resposta para as perguntas que não faço e que a vida é isso mesmo: o que sentes sem ver?

terça-feira, 24 de julho de 2007

Ficas comigo?

A despedida foi longa. Os meus lábios colavam-se aos teus como se isso tornasse a separação que se avizinhava menos árdua. Os teus braços apertavam-me o corpo como se duvidassem da realização do nosso reencontro amanhã. Como se fosse a última vez, insistíamos em ficar ali, no meio da rua, à vista de todos e sem ver ninguém. Parece sempre ser a última vez. É uma dúvida que se instala em nós à medida que os nossos passos se afastam e nos levam para caminhos diferentes. Ainda que seja por umas horas, por uma noite ou por um dia até nos unirmos de novo, tu vais à tua vida e eu sigo a minha.
Finalmente ganhamos coragem para soltar um “até amanhã” abafado por um beijo roubado sem pensar. Mais um, só mais um... Não vá a vida ser ingrata e estragar-nos o amanhã.
Viras costas e eu fico especada a olhar para ti, enquanto te afastas, na esperança que voltes a lançar-me esse teu olhar mágico uma última vez e outra vez mais.
Fico aqui a ver-te com olhos que já não são os meus e o corpo que me grita a tua ausência.
Viras-te e arremessas um sorriso brilhante que desafia o dos teus olhos.
Levanto a mão para te dizer adeus e viro costas instantaneamente para guardar essa imagem como uma presença real ao meu lado. Continuas aqui. Sinto que te viraste novamente mas recuso-me a olhar para trás. Prefiro guardar esta miragem do que alimentar uma ilusão que vais ficar.
Prefiro guardar-te tal como te deixei: comigo.
Agora que já não estás, vou deliciar-me com o sabor que deixaste na minha boca, o teu cheiro que ainda me invade os sentidos e desfrutar da doçura das tuas carícias imaginárias.
Tudo isso ficará comigo como um fantasma cruel que atenua o vazio que ficou com as últimas palavras que dissemos: “Até amanhã.”

Foto: Love... by LadyAnubis

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Voa até amanhã...

Se o tempo me ensinou que a tua presença era algo prescindível, algo superável e puro fruto do semblante de amor que nutria por ti... então porque razão não me libertas deste nó que me ata as asas e me impede de voar?