quinta-feira, 10 de maio de 2007

Desejo

Entre as quatro paredes, duas sombras iluminadas por luzes trémulas despem-se do silêncio com arfares de desejo em cada movimento.
O luar penetrando pela janela, reflecte-se nas negras pupilas dilatadas que fitam nervosamente os lábios semiabertos que tanto anseia beijar.
As suas mãos procuram desesperadamente um apoio ao sentir a aproximação do corpo desnudado da outra.
E que melhor amparo que, o da única testemunha presente, aquela que acolherá cada suspiro da sua pele.
Os seus músculos relaxam-se e quase se deixa cair quando finalmente o calor das suas bocas se une, fazendo escorrer um arrepio ao longo da sua coluna vertebral, abandonando-se ao prazer do momento.

A tal história inspirada pela poppie! Thanks, my friend!!

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Monólogo

mystique: Vou mudar de ares. Estou mesmo a precisar de ver outras caras e conhecer outros lugares. Vai fazer-me bem.
sm: Sim, faz bem, mas serás sempre a mesma e as mágoas não vão desaparecer por isso.
mystique: Talvez as mágoas continuem presentes mas vou sentir-me melhor.
sm: E não te faz diferença que essa pessoa goste mesmo de ti, que esteja apaixonada?
mystique: Eu não pedi nada. Quando aconteceu eu fui bem clara sobre o que esperar ou não de mim.
sm: Isso são as desculpas que te dás para vingares as mágoas passadas em alguém inocente.
mystique: Ninguém é inocente! Nem mesmo tu...
sm: Nunca proclamei sê-lo.
mystique: Mas pensas que os outros são?!
sm: E não é o caso? Que culpa tenho eu, por exemplo, que essa paixão arrebatadora à qual te entregaste te tenha magoado tanto?
mystique: Toda! Aprendi contigo :)
sm: Lá estás tu a pôr a culpa nos outros. Tu que tanto te proteges, entregaste-te e não soubeste lidar com o fim.
mystique: Nada disso. Eu sei perfeitamente que acabou e por isso mesmo parto para outra.
sm: E arriscas-te a magoar alguém que te ama...
mystique: É um risco que todos corremos quando gostamos de alguém.
sm: Desculpas...
mystique: Não sou como tu. Prefiro partir para outra a fechar-me no meu canto indifinidamente a lembrar uma pessoa e a massacrar-me por não poder estar com ela.
sm: Eu simplesmente prefiro curar-me antes de me atirar de cabeça noutra relação.
mystique: Sim?! E isso dura há quanto tempo, essa cura?
sm: Não é o tempo que conta mas sim o resultado.
mystique: Claro que conta! Tu preferes viver eternamente a lembrar como foi e pensar em como poderia ter sido. E todo este tempo e não vejo resultados!
sm: Prefiro assim do que arriscar-me a magoar alguém que não é por nada na história. E tu, claro está, não pensas nisso.
mystique: Eu prefiro viver o momento.
sm: Então e que momento é esse que te preparas a viver com alguém por quem não sentes nada?
mystique: Um momento de prazer. E eu tenho sentimentos!
sm: Sim, por outra pessoa!
mystique: Porque insistes nisso? Já passou!
sm: Eu sei que tens sentimentos: sentimentos momentâneos de bem-estar, de prazer! Sei que és sincera mas talvez isso não seja suficiente para quem está apaixonado por ti...
mystique: O prazer, tal como o amor são coisas que se dão gratuitamente, correndo riscos como se correm todos os dias nesta vida. E quem me diz que não me apaixono a sério??
sm: Eu conheço-te! Tu não te apaixonas assim de um momento para o outro. Ou gostas ou não gostas. Sempre foste assim...
mystique: As pessoas mudam.
sm: Não de um dia para o outro. Não de forma tão significativa e muito menos tu!!
mystique: Eu mudei muito nos últimos dois anos e tu, mais do que ninguém, sabes isso perfeitamente.
sm: Sei. E lembra-me lá como foi que esse milagre aconteceu! Apaixonaste-te e entregaste-te de corpo e alma.
mystique: Certo! E do que me valeu?
sm: E agora queres voltar a ser quem eras como se nada tivesse acontecido?
mystique: Quero continuar a minha vida. Não quero ficar parada à espera do que já foi.
sm: O que tu não queres é ficar sozinha.
mystique: Eu nunca estou sozinha!
sm: É verdade. Tens-me a mim!
mystique: LOL!!! És mesmo ingénua...

Milena: Decididamente estas duas não se entendem!
Se uma diz mata, a outra diz salva!
Quando uma quer, a outra recusa-se!
Não sei como se entendem.
E pensar que moram juntas!!!!!!!

(...)To be continued(...)

terça-feira, 8 de maio de 2007

Lucky one!

Sorte é um quase-sinónimo de destino, com a principal diferença de admitir uma divisão entre "boa sorte" e "má sorte" (quando se fala em destino, essa divisão é inadmissível). No entanto, imaginar que existe uma sorte é algo que exige admitir a ideia de predestinação, ou seja, de que algo ocorreu por fatalidade, programação ou desígnio imposto por forças maiores, sejam estas cosmogónicas, metafísicas ou teológicas.

Eu não acredito na sorte! As escolhas que fazemos na vida trazem-nos consequências, não castigos ou recompensas! Mas como animal pensante que sou não posso impedir-me de questionar as coincidências.
Como o dia em que conheci o Rich.
Depois de uma viagem de 25horas, sem dormir, a pensar quando poderiam os meus braços novamente sentir o calor do corpo da minha amada, o cansaço venceu-me. Sentada num canto da gare, agarrada aos meus poucos pertences, adormeci. Acordei meia assustada com uma mão que me batia no ombro e ao levantar a cabeça, deparei-me com uns belos olhos verdes arregalados, olhando em volta como se procurasse algo e desconfiasse de tudo. Era o Rich, 13 anos, órfão, desde os 7 a passear-se pelas ruas de Paris e a desenrascar-se. Olhou para mim, já de olhos abertos, e disse-me simplesmente que se me deixasse dormir mais 5minutos poderia acordar só com a roupa no corpo, ou nem isso. Levantei-me, meti a mão ao bolso e reparei que nem dinheiro tinha para beber um café. Ele ofereceu-se para me pagar um, tinha acabado de receber uns trocos e não sabia porque razão acreditava que eu voltaria para lhe pagar o almoço no dia seguinte.
Durante seis meses partilhamos os cantos da gare, os trocos, os almoços, a manta para dormir. Mostrou-me os melhores esconderijos, os códigos da rua e desapareceu como surgiu, sem deixar rasto.
Sorte ou coincidência, não sei. Sei que durante esse tempo tive um irmão. Alguém que cruzou e partilhou a minha vida, ainda que por um curto espaço de tempo, e fez-me esquecer os momentos difíceis que atravessava. Sim, porque comparada a ele eu tinha tudo!

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Presa

Pairas sobre mim como aquelas nuvens que ameaçam chuva e solta-se a tempestade.
Uma única gota caída a teus pés é confundida com a insegurança de te querer.
Quando se afasta a névoa que cresce nos meus olhos, interpretada por ti com a imprudência de um amor adquirido, vejo finalmente o quanto perdi ao dar tanto de mim.
Nego o que mais desejo para libertar quem tanto amo e é nessa ausência que finalmente te desnudas.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Incertezas



"As incertezas ocupam espaços na minha cabeça mas nunca tanto quanto o que ocupas no meu coração"